quinta-feira, 23 de junho de 2011

Começo a Ficar Curioso Com Vítor Pereira...


F.C. Porto: uma viagem às ideias de Vitor Pereira

ESTUDO DE UM ALUNO UNIVERSITÁRIO DÁ PISTAS SOBRE A FILOSOFIA DO NOVO TÉCNICO PORTISTA.


«Já fui um fundamentalista do ponto de vista táctico. Eu tinha ideias e queria, de facto, operacionalizá-las sem tentar colocar essas ideias ao serviço dos jogadores. Isso é um erro terrível que eu cometia, mas já não cometo. É muito importante perceber as características dos jogadores para as potenciar», disse Vítor Pereira na entrevista a que foi sujeito. «O modelo tem de ter flexibilidade no sentido de percebermos como é que ganhamos aqui», diz adiante, defendendo que «o fundamental é ter ideias e fazer os jogadores acreditarem nelas», acrescentou.

Vítor Pereira já se sentia um técnico diferente, nesta altura. Até na forma de conduzir o trabalho diário, que exigia aos jogadores que trabalhassem também a mente. «Não sou é, de forma alguma, um treinador passivo. Já fui mais activo do que sou hoje.
Já caí no erro de conduzir sistematicamente o exercício, e isto é quase como tomar decisões pelos jogadores, e isso não posso fazer», disse.

Organização defensiva assente em dois conceitos

Quando a conversa se centra na organização defensiva, o então técnico do Sp. Espinho insiste em dois conceitos que devem andar de mãos dadas. «Referências de pressão: passe devolvido entre o central e o lateral, o passe longo do adversário, o passe devolvido entre o pivot defensivo e o central. São
momentos que queremos aproveitar colectivamente para "saltar" em cima do adversário», exemplificou o técnico, antes de explicar o «lado cego». «É o aproveitamento de um mau posicionamento do adversário, de um deficiente ajustamento dos apoios na recepção da bola que normalmente "fecha" o campo.»

O segredo passa por encaminhar o adversário para um beco. Permitir que a bola chegue a determinado ponto, sabendo que aquele será o momento para agir. «Não quero uma equipa que pressione constantemente. Quero uma equipa que espera pelo momento certo para acelerar sobre o adversário em bloco, de perceber o momento colectivo de pressão.
Quem pressiona sem cérebro, quem pressiona todas as bolas morre a meio do campo. Se eu pressionar cada saída de bola do adversário, chega a um ponto em que ele começa a bater a bola na frente, e assim nunca poderei exercer uma zona de pressão.»

Marcações individuais é que estão fora de hipótese. «Nunca, na minha vida, entendi a organização defensiva dessa forma.
Se o adversário se apresentar com dois avançados, eu nunca na minha vida pedirei a um membro do sector intermédio para marcar um dos avançados», garantia então.

Mostrando-se mais capaz de se adaptar ao contexto, Vítor Pereira explicou as diferenças para a realidade que trabalhou na formação do F.C. Porto, e que não está assim tão distante do que tem sido apresentado pela equipa principal nos últimos tempos. «Fui habituado a trabalhar no F.C. Porto, durante cinco anos, com os melhores jogadores, e colocando o acento em dois momentos fundamentais do jogo: posse e transição ataque-defesa. Eu assim ganhava os jogos todos. Aqui não é assim.»

in "maisfutebol.iol.pt"

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