sábado, 9 de outubro de 2010

Regime Podre

Conheço António Pedro Vasconcelos e gosto de alguns dos filmes dele. Gosto menos de alguma arrogância que denota de vez em quando, falando de filmes ou de futebol ou de outras pessoas, sempre tudo muito colado com cuspo e com pouca reflexão histórica ou sobre o momento. Ele é mais filmes, é mais irrealidade do que realidade, claro.

Na terça-feira, ficou claramente diminuído quando Rui Moreira teve a atitude enérgica, decidida e corajosa de sair do estúdio da RTP onde se disputava mais um “Trio d’ataque”, por causa do tema das escutas do Apito Dourado, aparentemente novas, na realidade velhas como o caso e que não traziam nada de novo. Mas que APV introduzira no programa para gáudio dos seus mentores, que vão de Luís Filipe Vieira a João Gabriel. APV era, aliás, um grande crítico de Vieira, mas subitamente – foi só por o Benfica ter ganho o campeonato? – tornou-se um grande fã do presidente do Benfica. Há conversões assim e não são por obras divinas, parece-me…

Os programas de comentários futebolísticos são dos mais vistos nas nossas televisões por cabo e o “Trio” é um campeão, em boa parte, reconheça-se, por causa de Rui Moreira, que alia uma visão portista moderada à preocupação de estar por dentro dos temas. Vê os jogos, documenta-se, algo de que muitos outros (nem estou a falar dos do “Trio”) esquecem-se negligentemente. Sem Rui Moreira pode houver outro trio, mas não haverá, acho eu, “Trio d’Ataque”.

Sobre o fundo – o tema das escutas – acho que Rui Moreira esteve ao seu melhor nível. Porque alguém tem que dar um murro na mesa. Ou será que só as escutas do senhor Primeiro-Ministro ou de qualquer senhor do Governo devem ser protegidas? Mas neste País em que um clube pede uma reunião a um ministro que está no seu camarote VIP domingo sim, domingo não, e que tem um secretário de Estado que participou activamente na divulgação das escutas do “Apito”, nada me espanta verdadeiramente.
Manuel Queiroz in GRANDE PORTO

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